segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Universo eterno


         O Cosmos é tudo o que existe, que existiu ou que existirá”
(Carl Sagan).

A teoria do Big Bang é uma grande concessão aos dogmas religiosos do criacionismo. O universo não tem uma criação, um início e um fim. Ele é eterno. A noção filosófica de espaço reflete a propriedade geral dos corpos de terem certa extensão, de ocuparem um lugar específico e estarem dispostos de determinada maneira entre outros corpos no mundo e no Cosmos.

A imensidão cósmica

Tempo e espaço estão intimamente ligados. Não se pode dissociá-los. Ambos são uma realidade material independente da consciência humana. Esta tende a conceber as coisas conforme a sua realidade finita no tempo e no espaço.

A noção de eternidade do espaço agride a nossa pequenez e a nossa consciência da finitude. Como uma coisa não pode ter fim? A matéria não tem fim, apenas transforma-se ao longo do tempo e do espaço, de acordo com as influências espaço-temporal e do meio, se modificando, até perecer; isto é, até transformar-se em outra forma material.

Os corpos celestes – planetas, estrelas, asteróides, poeira estelar – são transformáveis; estão em constante mudança: nascem, crescem, evoluem e morrem no Cosmos. A vida terrestre – e a humana, em particular – só foi possível graças às condições materiais específicas da evolução da Terra, um “oásis” em meio a uma estrela periférica da Via Láctea.

A Via-Láctea: o Sol é uma das estrelas periféricas ao centro luminoso
O tempo é um dos determinantes da vida. Para os insetos tratam-se das horas; para os mamíferos, de anos; para as civilizações, dos séculos; para os corpos celestes, dos milênios (bilhões e bilhões de anos); e para o Cosmos, da eternidade, que vive eternamente em mudança. Mudança esta que é muito lenta para a vida humana mortal e ínfima. Quiçá a estupidez humana esteja relacionada com a nossa finitude e o parco tempo de vida?

A escala dos planetas do Sistema Solar em relação ao Sol
O fato é que foi aqui nesta poeira cósmica que é a Terra que a matéria adquiriu consciência de todo este processo natural, numa lenta evolução de centenas de milhares de gerações. Por certo existem inúmeras explosões, expansões, retraimentos e ciclos no Cosmos, mas isso não significa que houve um início ou uma “criação”. Certamente o fim da existência é doloroso. Mas de nada adiantam os subterfúgios. Cabe aproveitarmos da melhor forma possível toda esta consciência que a existência nos proporciona, tornando-nos pessoas melhores, mais lúcidas cientificamente e, sobretudo, transformando a sociedade e a relação entre os seres humanos.

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