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| Um debate entre Jessé Souza, Rosa Luxemburgo e Florestan Fernandes |
O proletariado atingirá o objetivo de sua viagem — sua libertação —
se souber aprender com os próprios erros.
Para o movimento proletário, a autocrítica, uma autocrítica impiedosa,
severa, que vá à raiz das coisas, é o ar e a luz sem os quais ele não pode viver.
(Rosa Luxemburgo — A crise da social-democracia).
Que a esquerda está
morta não há dúvidas.
Mas de qual esquerda estamos falando?
Podemos resumir a
esquerda a um todo só e, em particular, ao petismo? E o mais importante:
podemos abrir mão dos históricos métodos de luta da esquerda no sentido da
resistência à dominação dos ricos e poderosos?
O novo “best-seller”
de Jessé “Por que a esquerda morreu? E o que devemos fazer para
ressuscitá-la” faz um resgate importante da evolução das correntes
políticas deste campo desde o século XIX, porém, deixa várias lacunas e
ausências muito perigosas que precisam ser pontuadas.
I - Definição de esquerda:
Para Jessé, ser de
esquerda significa apenas lutar pelo controle político sobre o capital.
É uma definição muito
singela e vaga. Por exemplo, a China atual seria “de esquerda” porque controla
politicamente o capital — ou, pior ainda, a maioria dos países europeus,
incluindo alguns asiáticos, como Coréia do Sul e Japão, também poderiam ser
considerados de “esquerda” pelo mesmo critério?
Jessé não diz que
tipo de controle político deveria ser exercido sobre o capital. É, portanto,
impreciso.
Um projeto de
esquerda não pode ser resumido ao “controle político do capital” sob pena de
fazer com que o debate retroceda para antes do século XIX. Uma noção mais
avançada e pertinente sobre o que é “ser de esquerda” deveria abarcar, no
mínimo, a necessária compreensão da importância de superar a sociedade
capitalista, dando condições para a criação de formas materiais e espirituais
desta superação, fazendo com que os trabalhadores e a maioria das pessoas
tenham possibilidade de influir sobre a produção econômica, a política, a
educação, a cultura, etc., no sentido de possibilitar o surgimento e o
desenvolvimento de um ser humano novo, pleno e com condições de
autorrealizar-se social e individualmente.
Dito de outra forma:
a esquerda, percebendo que os ricos e endinheirados são conservadores por
natureza e, portanto, de “direita”, deve trabalhar pela plena emancipação do
ser humano trabalhador e pobre das condições de exploração, ignorância e
dependência material e espiritual em que se encontra submetido na esmagadora
maioria dos países do mundo. Que o programa da esquerda que visa a edificação
de uma nova sociedade crie as condições para que todos sejam capazes de buscar
o que realmente são interiormente (self) e, também, se estabeleça relações o
mais harmoniosamente possível entre todos os membros da sociedade.
Retroceder desta
noção debatida política e filosoficamente por socialistas, marxistas e
anarquistas ao longo do século XIX não é apenas um retrocesso ideológico;
ele ajuda a “direita” e os setores conservadores a esconderem a diferença de
perspectivas entre um projeto de concentração de riquezas e de poder; e o de
emancipação humana e o máximo de igualdade social possível.
Poderíamos arriscar
uma definição de um tipo mais genérico que também possui seus grãos de verdade.
A esquerda se preocupa com o outro, em ouví-lo, em levar seus interesses,
anseios e medos em consideração (ainda que muitos militantes de esquerda não
cheguem nem perto desta atuação prática); enquanto que a direita é mais
egoísta, voltada a beneficiar os interesses egotistas acima dos coletivos e
sociais, gerando, de uma forma ou outra, uma guerra de todos contra todos. A
sociedade capitalista, por sua natureza, beneficia as relações “de direita” às
relações de esquerda; isto é: coloca os interesses da economia privada acima
dos interesses da economia pública.
***
Há ainda a diferença
entre esquerda reformista e revolucionária, fruto da discussão do movimento
operário alemão, cuja principal expoente nesta polêmica foi Rosa Luxemburgo.
Para Jessé, tudo isso é passível de ser ignorado através de um rótulo mágico de
“controle político sobre o capital”.
É a esta concepção
estreita de esquerda que seu livro se refere do início ao fim. Apesar da falta
de precisão neste aspecto, é notório que ele se refere ao PT como o centro da
esquerda, sendo as qualificações de reformista ou revolucionária totalmente
ignoradas.
Cabe destacar que o
PT não se enquadra neste conceito de “esquerda”, dado que seus governos não
chegam nem perto de controlar politicamente o capital, senão que, em última
análise, é controlado por ele — a despeito de discursos e declarações por parte
de sua militância.
Toda a esquerda —
seja ela reformista, social-democrata ou revolucionária — está morta da mesma
forma? Não seria importante diferenciar?
Apesar desta falha do autor, podemos constatar que a esquerda que se
julga revolucionária é refém dos guetos, pois não consegue evoluir e, grande
parte dela, espera crescer messianicamente, muitas vezes sofrendo de delírios
irreais. De certa forma, por ser quase insignificante em sua agitação e
propaganda dogmáticas, pode ser considerada morta também, mas isso não
significa que parte da solução para o problema de “ressuscitar” a esquerda
esteja num remendo do PT.
Com relação à
esquerda reformista e social-democrata, vale apontar que ela já era um cadáver
insepulto desde 1914, conforme afirmou Rosa Luxemburgo. O que o PT fez, em
última instância, foi tentar reavivar velhas práticas social-democratas
moribundas, há muito criticadas, seja por Rosa, seja por Florestan
Fernandes.
A um partido reformista e social-democrata, como o PT, corresponde uma
política e um programa incapaz de denunciar coerentemente a estrutura do
sistema do qual torna-se dependente.
II - Jessé faz uma breve análise política correta sobre o petismo, mas
ela entra em contradição com o restante do livro:
Apesar desta confusão
de conceitos e definições sobre o que é ser de esquerda, pela primeira vez
pudemos ler uma crítica correta de Jessé à atuação política do petismo.
Ele escreveu: “ao
compartilhar o imaginário elitista dominante na sociedade, o PT se transforma,
sabendo ou não — e eu imagino que até hoje não tenha a menor ideia —, em um
mero plano B da elite paulista, condenado a meramente administrar o capitalismo
periférico com um toque de empatia popular, sem jamais se contrapor a ele e sem
ao menos tentar desconstruí-lo” (página 109).
Esta análise correta,
a despeito da inaceitável concessão à “ingenuidade petista”, contradiz a
maioria dos livros que escreveu anteriormente. A essência da questão é
exatamente esta: o PT se colocou como um mero administrador do capitalismo
periférico, dando a este projeto um verniz popular. E neste triste papel acaba
sendo um mero plano B da elite paulista.
Bravo, Jessé!
Antes tarde do que
mais tarde!
Chegou com um certo
atraso à conclusão que a esquerda revolucionária já sustentava, pelo menos,
desde 2003, e que Florestan Fernandes já vislumbrava desde… 1988!, quando foi
deputado constituinte pelo PT.
Este reconhecimento
tardio se constitui no ponto de partida mais importante para investigarmos a
“morte da esquerda”. Porém, desgraçadamente, ele mereceu apenas uma citação
passageira em um único parágrafo de um livro que tem 136 páginas!
Jessé ainda escreve, em tom choroso, que: “O PT, a despeito de suas
inegáveis contribuições históricas à luta contra a desigualdade no nosso país,
jamais percebeu a transcendental importância da luta cultural pelo imaginário
social da população. [...] O PT abraça, certamente sem o saber, o
imaginário social de seu inimigo de classe: como não percebe a importância da
luta cultural na sua inteireza, o PT prescinde de qualquer leitura alternativa
da realidade, caindo em um economicismo ingênuo. Comecemos pelo primeiro ponto.
Ao cortar qualquer relação com o trabalhismo anterior, o PT se joga,
inevitavelmente, nos braços do imaginário da elite paulista, construído, com
precisão de alfaiate, para se contrapor ao imaginário inclusivo de Getúlio
Vargas” (páginas 104 e 105).
Como um partido que presidiu o país por mais de 3 gestões federais, além
de contar com inúmeros governos estaduais e prefeituras, somando mais de 3
milhões de filiados, dezenas de fundações de intelectuais e dirigindo a CUT e
centenas de sindicatos espalhados pelo Brasil pode não perceber a importância
da “luta cultural pelo imaginário da população”?
Não seria mais
honesto e correto reconhecer que as exigências da sua estratégia política de
compor uma permanente frente ampla — sobretudo com parte da elite paulista — o
obriga à renunciar a esta disputa, lhe criando mil constrangimentos e
empecilhos políticos sob pena de romper a “governabilidade” institucional à
qual se submete como se fosse uma exigência divina?
Se o PT e o movimento
dirigido por ele se colocarem em marcha na disputa por uma nova narrativa e um
novo imaginário que se contraponha à elite paulista, isso provavelmente
resultará em rupturas e choques com grande parte da mentalidade conservadora de
sua base social, cultivada a partir de inúmeras ilusões reformistas,
pacifistas, empresariais e religiosas (isto é, entrará em rota de colisão com o
imaginário criado pela elite paulista).
Não foi exatamente isso que aconteceu com Vargas em 1930-1932-1954? Não
é justamente isso que o petismo tenta evitar com todas as suas forças desde
antes de 2003?
Como Jessé renega o marxismo, perde com isso sacadas materialistas
importantes, como, por exemplo, a que afirma que a todo poder ideológico
corresponde um poder material que lhe dá sustentação. Vargas apenas conseguiu
modificar a narrativa e disputar um novo imaginário porque enfrentou os barões
paulistas do café na arena da economia e da política através de uma ditadura. É
inviável disputar a narrativa e o imaginário nacional se não há disputa e
enfrentamento sério no campo econômico e político com o agronegócio, o sistema
financeiro e os seus sustentáculos na elite paulista. Ao contrário. O petismo é
apoiador direto ou indireto destes setores e espera mudanças pacíficas via
eleições e “maiorias” no Congresso Nacional.
Jessé nos deixa, então, paralisados dentro de um círculo vicioso que ele
não vê — ou não quer ver? — de que a estratégia e o programa petista desde
antes do primeiro mandato de Lula, em 2003, abdicam da disputa pela hegemonia
narrativa e o imaginário nacional em nome da “unidade política e institucional”
com grande parte da elite nacional, incluso parte da paulista. Se o petismo
mexe uma simples peça no sentido de fazer esta disputa, ele sofre com a ameaça
de ruptura da frente ampla que construiu por iniciativa própria. E esta simples
ameaça pode pôr abaixo todo o frágil castelo de cartas. A burguesia, seja a que
está no governo ou a que está na oposição, sabe muito bem desta contradição e
joga com ela.
III - O grande problema da esquerda para Jessé é a ausência de uma
narrativa e de um imaginário nacional alternativo ao da elite paulista:
De fato não existe
uma narrativa e um imaginário nacional alternativo ao da elite paulista para o
Brasil. E esta ausência cobra um preço alto.
Mas seria isto a principal razão para a morte da esquerda? Ou estaria no
fato de que a esquerda não consegue traduzir uma política revolucionária para a
atualidade, capaz de dialogar, galvanizar e mobilizar amplos setores das massas
populares?
Para compreender esta
contradição temos que fazer uma análise da psicologia de massas e de como a
direita neofascista consegue fazer isso com muito mais maestria do que a
esquerda.
Jessé faz uma boa
reconstrução teórica a respeito desta questão no seu livro, indo desde os
laboratórios sociais da propaganda norte-americana de manipulação das massas,
passando por outros países do mundo, até chegar ao Brasil. No entanto, Jessé
também termina refém de uma contradição que ele não vê — ou não quer ver? — e
que é reproduzida por quase toda a esquerda.
Qual seja: em razão
dos refinados métodos de manipulação da psicologia de massas, a maioria dos
trabalhadores tem preferido ir à direita do que à esquerda. Não basta,
portanto, uma narrativa alternativa, por mais importante que seja — e que de
fato não existe, sobretudo por causa da atuação prática do PT, precisando ser
construída. Como vimos, isso pressuporia que o PT está disposto a romper suas
alianças com parte da elite nacional e paulista; ou, então, que a esquerda
revolucionária tem disposição de se reconectar com a realidade e parar de
reproduzir dogmas. Mas uma falha parece alimentar a outra e não temos sabido
quebrar o círculo vicioso.
Ainda que a direita
neofascista tenha se refinado na psicologia de massas, podendo incentivar o
ódio, as taras e as perversões livremente, sem nenhum problema ético; o petismo
também tem suas artimanhas nesse campo, mesmo sendo mais moderado e comedido.
Jessé reconhece que o
petismo dá “empatia popular” ao “plano B da elite paulista” e à escravizante
tarefa de “administrar o capitalismo periférico”, mas não diz porque isso
ocorre.
Se o petismo ainda tem apelo popular é porque também cultiva ilusões
familiares e caras à grande massa, inclusive no campo religioso evangélico. Em
outro livro, Jessé reconhece que “os pobres são pragmáticos. Eles percebem a
política como um jogo sujo e corrupto dos ricos e querem saber quem, no final
das contas, vai ajudá-los de algum modo efetivo” (in A guerra contra
o Brasil. Editora Estação Brasil, Rio de Janeiro, 2020 - página 180).
Como construir uma narrativa alternativa ao imaginário nacional que
consiga romper com essa conduta “pragmática” do povo e não reforçá-la? Quantos
eleitores e sindicatos o petismo perderá caso vá à esquerda, rompendo e se
chocando com o imaginário oficial instituído pela elite paulista e sua mídia,
bem como questionando o seu “economicismo” mais pragḿatico e rasteiro? Existe
honestidade e coragem suficientes no PT para isso?
Eis o ponto central
que Jessé deveria abordar e responder…
IV - A “revolução expressiva” e luta habermasiana pela opinião pública:
Jessé defende que a
grande mudança se deu com a “revolução expressiva” dos jovens das décadas de
1960 e 1980, pois colocavam o problema da integralidade do ser humano e não
apenas o do homo economicus, produtivista.
Não há dúvidas de que
foram movimentos importantíssimos que abriram vários caminhos não explorados
pela esquerda ainda hoje, sendo necessário aprofundar o debate. Mas certamente
Jessé dá uma força sobrenatural com contornos milagrosos para estas revoluções.
Para podermos apreciá-las como devem ser – isto é, baseado no realismo –,
precisamos estudá-las muito além do ufanismo milagroso.
O mesmo exagero
milagroso é feito em nome da disputa – eleitoral – pela esfera da opinião
pública. Certamente é outro campo que a esquerda não disputa corretamente,
muitas vezes se colocando como papagaio de pirata do discurso oficialista e
reforçando estereótipos. No entanto, a psicologia de massas da direita
neofascista tem sido muito mais eficaz do que a esquerda pelas razões expostas
acima e que serão aprofundadas mais adiante.
Como o próprio Jessé
reconhece, a “revolução expressiva” e o Estado de Bem Estar Social não teriam
sido possíveis sem a existência da URSS. Porém, na sua esforçada tentativa de
ressuscitar a esquerda, contraditoriamente, Jessé ignora por completo as
experiências do “socialismo real”, com toda a sua riqueza de lições, envolvendo
bilhões de seres humanos, como se fosse algo passível de ser secundarizado.
Ele diz,
simplesmente, que “as revoluções violentas, como a francesa, de 1789, ou a
russa, de 1917, mais tarde foram incapazes de produzir esse aprendizado, com
frequência significando a mera substituição de estruturas oligárquicas. O
Antigo Regime é restaurado poucos anos depois da Revolução Francesa. E as
relações autoritárias da época dos czares retorna à União Soviética sob a forma
de uma dominação burocrática. As revoluções de consciência, ao contrário, mudam
a forma como o povo percebe e interpreta a vida social como um todo,
transformando assim, a partir de dentro, todas as relações sociais” (página
36).
Tanto a revolução
francesa quanto a russa foram filhas de seu tempo histórico. No entanto, também
foram revoluções de consciência. Elas moldaram e prepararam o caminho para
outras formas de revolução, como a própria “revolução expressiva”, ajudando a
formar e a consolidar esferas de opinião pública (mesmo que às avessas) e o
perigoso Estado de Bem Estar Social europeu.
Junto com as
“revoluções expressivas” e as formas de assegurar o debate público nas esferas
de opinião pública, garantindo direitos em um Estado de Bem Estar Social, é
fundamental estudar, conhecer e se preocupar com as instituições surgidas das
revoluções socialistas do século XX, as quais Jessé não dá a mínima
importância. Ao contrário. A sua fórmula para “ressuscitar a esquerda” pretende
que a “revolução expressiva” e de “consciência” sirvam à fins eleitorais para
garantir o controle político sobre o capital.
Da mesma forma ele entende o papel dos sindicatos: uma escola eleitoral
para governos ditos “progressistas”.
V - O papel dos sindicatos e dos movimentos sociais:
Existe um vetor
fundamental da luta de classes que seria decisivo na construção de um novo
imaginário para o país, ao qual Jessé não apresenta nenhuma crítica: os rumos
políticos dos movimentos sindicais e sociais, ambos dirigidos quase que
hegemonicamente pelo petismo.
Como eles não criaram nada alternativo fora do oficialismo político, nem
geraram confiança nas massas que “representam”, apenas mais discursos
identitários vazios quase como uma sucursal do partido democrata estadunidense
no Brasil, serviram simplesmente para garantir eleições petistas e, por isso
mesmo, aprofundaram a crise e a “morte da esquerda”.
Jessé não reconhece
aí nenhum problema teórico, político ou estratégico para a esquerda. Talvez
seja por isso que ele só fale dos sindicatos do século XIX e do início do XX,
mas não esboce nenhuma crítica à atuação do PT no movimento sindical.
O sindicalismo
petista desenvolveu um respeito quase religioso à legalidade, às eleições e às
instituições da democracia burguesa, que, quando se sentem ameaçadas, tramam
golpes e retiram direitos dos trabalhadores em plena luz do dia. Certamente que
se deve observar certas práticas da legalidade para que os sindicatos não sejam
cassados burocraticamente e possam existir, mas isso nada tem a ver com cultuar
a legalidade, chamando a classe trabalhadora a confiar nela cegamente em todas
as circunstâncias, tal como faz o petismo.
O resultado é a destruição completa da independência de classe e a
submissão total da classe trabalhadora ao Estado burguês. Que tipo de
imaginário se pode criar no seio do movimento dos trabalhadores deste modo? Não
estaria aí uma adaga bem no coração da esquerda para matá-la?
Na prática de
administrar os sindicatos dentro desta estreita legalidade, PT e CUT tratam
como inimigos todos aqueles que, de alguma forma, questionam essa legalidade e
que reconhecem nela um entrave. Não é necessário ser um gênio em sociologia ou
em história para perceber o interesse da classe dominante neste legalismo, que
é o meio mais eficaz para controlar movimentos independentes de base.
O controle
burocrático e autoritário dos sindicatos e centrais sindicais pelo petismo
impede o surgimento de uma criatividade organizativa, política e ideológica. E
onde não há criticidade viva, honesta e ativa, impera a despolitização e a
reprodução de rebanho, sem que nenhum debate por um imaginário nacional novo
possa se desenvolver com sucesso e se enraizar por entre o povo.
Se este espírito de
rebanho não é o motivo central para a “morte da esquerda”, certamente é outra
adaga cravada no seu coração. Nenhuma classe dominante temerá um povo
imbecilizado pelas redes sociais, docilizado pela grande mídia, pelos patrões,
pela educação pública e domesticado pelos partidos e movimentos de “esquerda”
nos sindicatos oficiais.
A “esquerda
revolucionária” também não tem sabido enfrentar o problema, exagerando e
desordenando as discussões e palavras de ordem, que degeneram em oposições
desonestas, raivosas ou delirantes – ou num misto das três. Por fim, quando existem
pessoas com trabalhos de base reais, coerentes e revolucionários, encontram
ouvidos moucos das categorias, que optam oportunisticamente por discursos
pragmáticos e “economicistas”, como bem reconheceu Jessé no seu outro
livro.
Pelo visto, para ele,
o hegemonismo petista sobre os sindicatos não merece crítica ou sequer atenção.
No campo sindical fica patente que a liderança de Lula não é tão exemplar
quanto vende no livro.
Se Lula é um líder
melhor do que Bolsonaro e toda a miríade de presidentes brasileiros anteriores
– geralmente de direita –, isso não o isenta da paralisia sindical, que é um
reflexo de elementos autoritários, oportunistas e muitas vezes místicos com que
o petismo exerce o seu poder e o seu imaginário eleitoral estratégico sobre o movimento
sindical nacional. O que ele propõe para ressuscitar o sindicalismo brasileiro
frente a estes entraves petistas? Ou isso não teria a menor importância para
ressuscitar a esquerda?
VI - Como elaborar uma política revolucionária que influencie a psicologia
de massas no sentido de superar a sua recusa em ir à esquerda e a sua fácil
sedução pela direita?
A pergunta correta para tentarmos ressuscitar a esquerda deveria ter
esses questionamentos; e a resposta não pode surgir apenas de uma nova narrativa
e de um novo imaginário a partir de um único partido político, sem desenvolver
uma nova metodologia de trabalho de base para melhorar a atuação sindical e dos
movimentos sociais brasileiros, criando raízes verdadeiramente populares e
nacionais.
Podemos concordar que a ausência de um imaginário alternativo ao da
elite paulista dificulta tudo, mas, como foi dito, parte desta ausência se
explica como o resultado da opção política petista: ele não pode construir um
imaginário alternativo sem destruir a sua estratégia política de aliança com
parte da elite paulista na frente ampla.
No lugar de preparar uma ruptura “realista”, vemos o PT sempre tentando
se demonstrar o mais confiável possível aos aliados, como naquela vez que
perdoou as dívidas da Rede Globo ao invés de torná-la uma emissora pública,
como sugere Jessé. Seria importante, antes de qualquer coisa, pensarmos se a
direção da empresa, que é reconhecidamente golpista em 1964 e 2016, aceitaria
esse sonho colorido ou se tramaria novos e piores golpes na iminência de perder
tudo. Mas Lula e o PT fizeram pior do que isso: ao invés de enfraquecerem a
Rede Globo para torná-la pública, tentaram fazer isso fortalecendo a Rede
Record do bispo Macedo, que se tornou uma fortaleza bolsonarista!
Pode-se concordar também
que um grande partido de massas, com influência política governamental,
sindical e popular, assumir uma narrativa alternativa à oficial tem um grande
peso que é preciso testar e exercer na prática. Muitas organizações da
“esquerda revolucionária” desconsideram a importância de uma narrativa bem
construída e amplamente exposta. No entanto, é necessário levar em consideração
cuidadosamente as questões relacionadas à psicologia de massas e todo histórico
sindical petista.
Há uma profunda apatia na classe trabalhadora brasileira fruto de vários
fatores, mas, em particular, da utilização demagógica da psicologia de massas
pela direita (bolsonarismo, partidos da elite, grande mídia, igrejas
evangélicas, etc.), de um lado; e pelo petismo, com toda a sua demagogia
sindical e eleitoral, por outro – sendo um o peso da gangorra para o outro. O
espírito de rebanho, por exemplo, é cuidadosamente cultivado por ambos os lados
nestes discursos oficiais de poder real e simbólico.
O petismo, por seu
turno, propõe uma mudança conservando esse equilíbrio, só que com uma ênfase
“popular”. Jessé reconheceu isso tacitamente em seu livro, embora dando uma
grande concessão à suposta “ingenuidade petista”.
É evidente que teremos aí um discurso sedutor, que será a antípoda do
discurso da direita oficial, ainda que, por estar dentro da ordem e conciliar
com parte da elite nacional, não pode ser capaz de derrotá-la completamente,
dado que o seu projeto programático e a sua conduta política é incapaz de
resolver os grandes e graves problemas estruturais do país, deixando o caminho
livre para novos e piores golpes de Estado por parte do imperialismo
estadunidense.
As palavras de
ordem, ações e trabalho de base da esquerda “revolucionária”, por sua vez, soam
irreais ou causam pavor na massa humana – em sua maioria não são sequer
compreendidos com o mínimo de esforço e interesse. A atuação da esquerda
“revolucionária” não desfaz os estragos demagógicos do reformismo petista, nem
se preocupa com os desvios internos da massa, já que ela é idealizada
messianicamente.
O trabalho de base desta esquerda não enfrenta as hipocrisias cotidianas
dos trabalhadores comuns (até porque os próprios militantes de esquerda não
querem enfrentar as suas), sem o quê parece ser impossível ajudá-la a superar
as ilusões petistas e direitistas.
Já os discursos de
Lula e do PT soam como “realistas” em contraposição aos da esquerda
“revolucionária”. São os únicos que parecem ser “viáveis” (seja pelo peso nos
movimentos sindicais e sociais; seja pela carta branca direta ou indireta que
lhe é dada pela grande mídia e pela estrutura oficial, beneficiada diretamente
por essas ilusões). Essa noção esperançosa de que o PT é o “único viável” reflete
a visão utilitária da classe trabalhadora, infectada pela filosofia
“pragmatista” estadunidense e Ocidental.
Dentro desta visão, as eleições são vistas como a “única possibilidade
de mudança” – e, para se sanar qualquer dúvida, basta ouvir os comentários nos
botequins, nas ruas, nos locais de trabalho e moradia. Sem compreender as
ilusões da psicologia de massas e sem realizar um longo trabalho de base que
combata o messianismo, o utilitarismo e o pragmatismo presentes no seio da
classe trabalhadora, a esquerda revolucionária continuará pregando uma saída
“via revolução” que não será compreendida.
O PT de Lula
desponta como a única “esquerda realista” e “possível” porque, a despeito do
seu oportunismo descarado, sabe convenientemente levar em consideração
elementos da realidade e, sobretudo, as ilusões e esperanças da massa. Já a
esquerda “revolucionária” não consegue agir desse modo, pois está cega por um
“fanatismo” totalizador; além disso, não consegue estabelecer um trabalho de
base coerente, com uma agitação e propaganda que quebre ou sequer arranhe essas
ilusões. Talvez aja assim por medo do novo ou mesmo por idealizar a massa, que
é vista sempre como ingênua e enganada por “direções traidoras”, sem querer
perceber a dialética da interdependência que existe entre “massas enganadas” e
“direções traidoras” na psicologia de massas.
O ativista do
movimento negro dos EUA, Kwame Ture, afirmou certa vez que “o capitalismo
torna as pessoas burras e depois torna elas arrogantes em sua burrice. Elas não
apenas não sabem, como não querem saber”.
A grande questão sobre a morte da esquerda que não é enfrentada nem pelo
petismo, nem pela esquerda “revolucionária” e nem por Jessé é, justamente, o
que Ture escancarou: porque grande parte da massa emburrecida, alienada e
manipulada pelo capitalismo “não quer saber”? Por que ela foge de uma agitação
e propaganda política que lhe explique o porquê? E ainda: por que ela prefere
qualquer embuste “anti sistema” da direita (Trump, Bolsonaro, Marçal, etc.) aos
anti sistemas de esquerda?
É precisamente aí que está a vitória conjuntural da direita neofascista
e o seu poder manipulatório sobre a psicologia de massas ao qual a esquerda,
seja de que vertente for, sequer têm conseguido arranhar ou mesmo encontrar
explicações.
VII - As ilusões nos influencers e youtubers de esquerda:
Frente à morte da
esquerda e à paralisia do movimento sindical, temos visto o crescimento
exponencial da militância online e dos youtubers que são vistos como redentores
de um caminho que não existe.
Alguns deles, como Jones Manoel, Opera Mundi, Saia da Matrix, Orientação
Marxista, Rubonautas, Brasil 247, Alysson Mascaro, ICL, etc. insinuam direta ou
indiretamente — não sem a complacência dos partidos e organizações de esquerda
— que ganhar seguidores e likes passou a ser confundido com “influência
de massas”, quando na verdade é um terreno pantanoso, onde a direita
neofascista leva uma grande vantagem. Ainda que seja muito importante disputar
ideias no campo virtual, é necessário ter em mente que isso pode se tornar um
novo entrave ilusório.
Por mais seguidores
que se tenha, toda esta influência virtual não tem se convertido em movimento
de massas, nem em crescimento da consciência de classe por entre a classe
trabalhadora; senão que, muitas vezes, fica-se num ping pong online, com pautas
histriônicas que mais repelem do que esclarecem, aprofundando a apatia e o
distanciamento. E isso é tudo o que a direita neofascista deseja, pois é o seu
campo preferencial: o campo da manipulação da psicologia de massas tem sido,
por excelência, o virtual e o eleitoral.
A classe trabalhadora
acaba seduzida pelo discurso da direita porque dentro da sua subjetividade
individual está presa aos valores do conservadorismo, que a direita neofascista
aprendeu a manipular com maestria e a esquerda nem chega perto de enfrentá-los por
desconsiderá-los totalmente, uma vez que é cega pelo discurso econômico e
objetivista, ignorando os problemas da psicologia de massas.
A visão mecânica do marxismo só vê qualidades num trabalhador pobre,
nunca seus vícios e defeitos. Pensam que estes serão sanados quase que
automaticamente por uma “política correta” de uma direção revolucionária (ou
pelo voto correto num partido de esquerda, no caso de Jessé).
Esta dinamização política imposta pelo capitalismo gera ideologias que
se disseminam amplamente através das novas formas de tecnologia e comunicação.
A intensificação do individualismo impulsiona formas de ver o mundo pelo prisma
da autoverdade, do utilitarismo, do hedonismo e do identitarismo burguês. Os
próprios meios de criação de ideologias — universidades, escolas, igrejas,
grande mídia, redes sociais — desenvolvem formas e técnicas — dentre as quais,
cabe destacar hoje as redes sociais — para disseminar estas ideologias e
dinâmicas, que, por sua vez, reforçam a terra arrasada na vida real.
Seria importante que os youtubers “de esquerda” voltassem todas as
atenções para a organização real e, principalmente, para tentar anular e
reverter a manipulação da psicologia de massas. Para isso seria necessário
estudá-la com atenção.
O trabalho penoso,
paciencioso, do dia a dia, nos locais de trabalho, enfrentando a patronal, o
assédio moral permanente, o descaso, a consciência atrasada fermentada, dentre
outros meios, pelas redes sociais, que se converte no desânimo mais atroz,
poucas organizações políticas e militantes — sejam reais ou online — enfrentam,
pensando poder resolver tudo “pelo alto” com as novas tecnologias e as redes
sociais.
E as organizações reais que existem nos movimentos sociais não querem
fazer um balanço e uma reavaliação da sua atuação prática, conformando um
terrível círculo vicioso que precisa ser quebrado.
VIII - Algumas conclusões: para quê tem que servir a esquerda?
Muitos pensadores
burgueses fazem troça da tentativa dos socialistas de mudarem a sociedade,
afirmando que isso é impossível. Para eles, a sociedade tem que ser desigual
porque os seres humanos são desiguais. Sendo assim, o pensamento burguês,
liberal e de direita “estaria correto” em apostar tudo no individualismo e no
egoísmo.
Por natureza, cada
pessoa tem seus próprios gostos e sonhos de realização na vida, ainda que uma
grande maioria nem saiba que seus gostos são manipulados pelo consumismo e pela
propaganda da indústria cultural. Podemos concordar que não é possível um
modelo de felicidade e realização pessoal uniforme e universal, sem o
empobrecimento da diversidade humana. Porém, é necessário equilibrar esta
discussão apontando que é possível estabelecer pontos de intersecção e
confluência – uma espécie de denominador comum – entre as felicidades e realizações
humanas.
As importantes noções
desenvolvidas a partir do liberalismo econômico e sustentadas hoje com muitos
erros e desvios pela direita, como as demandas de respeito às individualidades,
degeneraram e se transformaram em algo profundamente reacionário: o
individualismo (que é diferente da individualidade). Há muito tempo que o
capitalismo tornou-se disseminador do pior tipo de individualismo, levando a um
“salve-se quem puder” e sepultando definitivamente qualquer ganho popular do
“crescimento do bolo” a partir do egoísmo e das supostas “vantagens dos
interesses econômicos particulares”, como apregoava Adam Smith no passado (isto
é, disseminado a partir da realização profissional e dos “sonhos” de cada
indivíduo).
Temos visto o
crescimento desenfreado de diversas formas de narcisismo, hedonismo e egotismo
estimulados maquiavelicamente pelo capitalismo neoliberal. O mercado joga o
tempo todo com as emoções infantis e egocêntricas do indivíduo médio comum. Faz
confundir a pior forma de infantilismo egocêntrico com liberalismo econômico
(poucos indivíduos deste campo fogem à regra).
Apesar disso, não é
sábio fazer o que faz a maior parte da “esquerda” brasileira jogando o
pensamento liberal clássico no lixo como se fosse algo inútil, esquecendo da
importante diferença entre individualismo e individualidade. Na sua luta pela
revolução socialista, os trabalhadores conscientes precisam acertar contas com
o falso liberalismo econômico da direita brasileira e saber incorporar as boas
contribuições filosóficas liberais do passado, não apenas para desmascarar os
parasitas e aproveitadores atuais, mas para poder incorporá-lo no programa
político e econômico de superação do capitalismo com vistas à construção de uma
sociedade socialista.
Há que se desenvolver um método de independência individual dentro da
massa trabalhadora, sem o quê, qualquer defesa de autodeterminação popular é
apenas letra morta. O empreendedorismo individualista-burguês precisa se
transformar em “empreendedorismo socialista”, baseado na coletividade.
Uma melhor distribuição de renda é um pressuposto básico para elevar as
condições materiais de uma população massacrada pelos poucos ricos do nosso
país e do mundo. Gostos, sonhos, felicidades e realizações pessoais podem ser
aperfeiçoados e amadurecidos, indo muito além dos interesses consumistas do
mercado e da indústria cultural. Com preocupação política de governos,
organizações sociais, sindicatos e sociedade civil, qualquer ser humano pode
aprender mais, ser desafiado a mais, e ser estimulado a se tornar melhor em
todos os níveis possíveis.
Para isso, é imprescindível possibilitar condições materiais mais dignas
a todos – ainda que em níveis distintos, porém, minimamente aceitáveis e
humanos. Só citar esta obviedade faz os ricaços e os seus defensores na direita
gritarem e rugirem como se fosse o fim do mundo, quando na realidade é o seu
começo. Por tudo isso, o socialismo deve continuar sendo o horizonte
estratégico de toda a esquerda e, para isso, estudar as experiências do passado
e aprender com as lições históricas para fazermos os ajustes necessários à sua
evolução teórica e adaptação ao século XXI é fundamental.
Nesta perspectiva – não levada em consideração por Jessé –, certamente o
controle político do capital é muito importante, mas isso não passa de um
primeiro passo que não tem como se sustentar a longo prazo sem avançar para uma
forma social nova. Faltam ainda o controle operário da produção, a mudança nas
instituições políticas e no Estado; a melhoria e modernização das formas de ditadura
do proletariado (não entendida como o stalinismo, mas como a Comuna de Paris,
Rosa Luxemburgo Lenin e Trotski entendiam); o objetivo desses passos é a
elevação do nível material, cultural e emocional das massas.
Jessé traz pontos importantes no seu último livro, mas fica longe de
apontar formas de conseguir ressuscitar a esquerda se não leva em consideração
o trabalho prático cotidiano junto dos sindicatos, dos movimentos sociais e dos
locais de trabalho e estudo mais humildes com todas as suas contradições – e,
sobretudo, se ignora o socialismo.
Seria muito importante que uma narrativa alternativa e um novo
imaginário nacional fossem levados à prática por um partido de massas, como o
PT, visando uma “revolução expressiva”. No entanto, o fato de não existirem é o
reflexo material da adaptação petista à ordem institucional burguesa e ao seu
arco de alianças. Da mesma forma, a esquerda dita “revolucionária” não consegue
criar ou sequer contribuir com esta disputa porque está presa a um dogmatismo
obtuso que não leva em consideração o povo como ele é, senão que torna-se
desequilibradamente mais agressivo contra o PT para compensar esta ausência
fundamental.
É necessário uma análise sóbria da realidade do nosso país,
compreendendo as diferentes contribuições programáticas da “esquerda”
brasileira, começando desde o petismo, o “comunismo” dos PCs, até a atual
“militância revolucionária”, passando pela vertente trabalhista, indo muito
além da atual cizânia e discórdias entre a esquerda em nome de um “purismo”
inexistente. A mudança social em um país complexo como o Brasil requer que
levemos em consideração a contribuição de distintas experiências políticas — ainda
que não necessariamente concordemos com elas.
A grande questão para ressuscitá-la, portanto, não é conseguir
demonstrar à classe trabalhadora que a pequenina melhora das suas condições de
vida se deve aos programas sociais dos governos do PT e não a Jesus; mas,
sobretudo, como criar consciência de classe que é, em última análise, a
capacidade de acreditar em si mesmo, na sua própria força, na força da
coletividade social do seu entorno imediato, do Brasil e da América Latina.
Já afirmamos neste blog que a sociologia de Jessé pode significar um
retrocesso em relação a de Florestan Fernandes, para quem “o socialismo
comprometido com a democracia burguesa ainda é uma forma de reprodução do
sistema capitalista de poder”. (F.Fernandes, Pensamento e ação, o PT e os
rumos do socialismo. E.Globo, 2006, página 241).
O recente livro de Jessé parece confirmar o prognóstico deste blog.
*Todas as citações e referências deste texto, com exceção de uma devidamente indicada, foram extraídas de “Por que a esquerda morreu? E o que devemos fazer para ressuscitá-la”, Jessé Souza, Civilização Brasileira, 2025, 1ª edição.
Sugestões de leitura deste blog com afinidades de conteúdo:
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> Jessé Souza, o pobre de direita e a classe média de esquerda
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