Grande parte das organizações de esquerda e muitos analistas geopolíticos divulgam a ideia de que os EUA perderam a guerra contra o Irã.
Eles se baseiam nas posições contraditórias e, por vezes, “pedindo penico”, de Donald Trump nas suas redes sociais e na grande mídia. No entanto, é válido lembrar que as declarações contraditórias de Trump fazem parte da sua hipnose e enganação a nível da psicologia de massas. Para isso ele é muito bem assessorado.
A interpretação excessivamente otimista dos referidos setores se baseia no pequeno atrito ocorrido entre os EUA e Israel, sobretudo no que diz respeito à continuidade da guerra no Líbano com a tradicional desculpa, amplamente apoiada pela grande mídia comercial, de combater “grupos terroristas”. Antes era a tecla do “grupo terrorista Hamas”; agora é a vez do “grupo extremista Hezbollah”. Alguns grupos de esquerda chegam a afirmar que este triunfo vai além do Irã, sendo uma vitória para todos os povos oprimidos do Oriente Médio e do mundo.
Mas será mesmo que os EUA perderam a guerra?
Como um império em decadência histórica, a estratégia geopolítica do neofascismo não parece se restringir ao cálculo de vitória ou derrota no campo de batalha. Manter o cerco à Rússia e a cisão no Oriente Médio, para que a Eurásia não se consolide sob a união China-Rússia e não possa desenvolver-se pacificamente, parece ser o centro da estratégia estadunidense. E, nesse sentido, o caos regional de guerras eternas de divisão e sabotagem, mesmo que com eventuais derrotas, é uma boa pedida. O Irã é um eixo geopolítico que confere estabilidade ao eixo de desenvolvimento de Rússia e China.
O imperialismo estadunidense vive de colocar lenha na fogueira de pequenas disputas regionais, o que lhe confere o poder de configurar mais ou menos como deseja o tabuleiro geopolítico mundial. O caos regionalizado lhe beneficia.
Além do mais, há os interesses do complexo industrial-militar dos EUA, que lucra trilhões com guerras permanentes, ajudando a manter os índices econômicos do imperialismo ianque em lenta bancarrota. Por fim, retarda-se a queda do petrodólar e ainda ajuda-se a especular com o valor do barril do petróleo e com a própria indústria petrolífera, que se mantém como fonte de energia central da economia ianque.
Tão rápido quanto foi costurado o suposto “acordo de paz”, Trump anuncia no dia 8 de julho que “não vê mais motivo para continuar diálogo com Teerã”, autorizando novos “ataques pesados” ao Irã.
Assim, pode-se ver que a estratégia dos mentores neofascistas é muito mais sádica e cruel do que supõe a comemoração ingênua e esperançosa de boa parte das organizações de esquerda e dos “analistas independentes”.
Sugestões de leitura com afinidades de conteúdo:
> A guerra contra o Irã e a decadência do imperialismo estadunidense
> O “grupo terrorista” Hamas e a mídia mercenária Rede Globo