quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A psicopatia do império e o sequestro de Maduro

 


O inaceitável sequestro de Maduro veio na esteira do lançamento da Doutrina Trump, que expõe ao mundo a psicopatologia do império.

A superioridade militar estadunidense, usada para sufocar e chantagear quem ousa criticá-lo, foi rápida e fatal. Mas nenhuma guerra, por mais superioridade tecnológica e militar de que disponha um dos lados, pode ser vencida sem um aparato de propaganda e narrativas que prepare o caminho.

Sabemos que a grande mídia latino-americana foi a principal arma de guerra do império estadunidense, secundada pelas sanções e embargos econômicos de décadas à Venezuela. Mas há ainda uma arma de guerra que precede tudo isso, sem a qual o jornalismo mercenário não pode fazer efeito: o estilo de vida, a filosofia pragmática e a economia sustentada pelo império norte-americano que naturalizam e legalizam a psicopatia em larga escala, cujo ápice foi atingido com as práticas neofascistas do governo Trump.


A psicologia de massas como arma de guerra

Não é somente a alta tecnologia militar da máquina psicopática de guerra dos EUA que desarma os radares de caças e mísseis de qualquer país, mas o tipo de propaganda política institucional, o jornalismo neocolonial e a filosofia de vida que torna inútil uma “bateria antiaérea racional” para o povo, fazendo “patriotas” se ajoelharem e prestarem continência à bandeira imperialista estrangeira.

Quando se chega a este estado de coisas é como se um vírus se espalhasse por entre as pessoas, anulando qualquer capacidade e esforço racional, por mais bem montados que sejam.

Nesse sentido, a principal arma de guerra do império estadunidense contra a América Latina não é a bomba atômica, os porta-aviões, a IA, os drones ou o que quer que seja no campo militar, mas a mente do seguidor de Bolsonaro, Milei, Kast e do gusano da Flórida, cuidadosamente cultivada por anos de propaganda neoliberal, a que chamam de “jornalismo”. 

Trata-se do melhor cavalo de Tróia que pode haver, pois entende entreguismo como patriotismo; pirataria, saque e extorsão como desenvolvimento econômico; além de ser imune a todo fato histórico ou argumento racional, celebrando a injustiça como algo digno e desejável. Ela não só antecede as invasões, como prepara o caminho para o ataque estrangeiro, comemorando-o como se fosse um título de Copa do Mundo!


A manipulação egotista da psicologia de massas

Mas como o império, com seus sucessivos governos, aparatos militares e propagandísticos, atacando, invadindo e bombardeando abertamente inúmeros países pelo mundo, consegue esse grau de alienação e subserviência?

A resposta é: com a manipulação egóica dos sentimentos infantis mal compreendidos e mal resolvidos que existem em nós; com a recusa em olhar a realidade de frente e de se posicionar levando em consideração as outras pessoas além do nosso próprio umbigo. Muitos destes sentimentos manipulados são psicopáticos e são capazes de gerar prazeres sadomasoquistas.

O império e sua mídia se especializaram em manipular taras, ódios e medos, dentre os quais o maior de todos é o medo da morte, do fim de si mesmo; isto é, do fim do ego. O império logrou associar na mente de bilhões de pessoas a defesa do próprio ego com a defesa dos interesses estratégicos dos EUA.

Defender os sórdidos interesses econômicos dos EUA soa natural para bilhões de pessoas. Os “homens-bomba” norte-americanos explodem em reações emocionais desequilibradas e intolerantes frente ao menor questionamento político da conjuntura, seja na Venezuela, no Brasil, nos EUA ou no mundo. Esta psicopatia é caracterizada por fazer o indivíduo perder a capacidade de empatia e escuta, bloqueando o cérebro racional para fatos e argumentos bem construídos.

Assim, eles endossam ataques, invasões — como o sequestro de Maduro —, bombardeios, guerras e até mesmo genocídios — como o ocorrido em Gaza.

A psicopatia legalizada pelo império através da mídia e de inúmeras instituições políticas legaliza também a psicopatia, a violência simbólica e real, as quais exercem um certo fascínio sobre a psique egocentrada, com fortes tendências sadomasoquistas.

Chegamos ao ponto em que os golpes imperialistas acontecem escancaradamente, rompendo qualquer resquício de direito internacional, onde um presidente psicopata, secundado por ministros psicopatas, podem falar abertamente que “vão controlar o governo e o petróleo da Venezuela”; ou que “este hemisfério é nosso”; ou, ainda, que “o mundo é governado pelas leis de ferro da força bruta” e não serem condenados por milhões de pessoas, mas aplaudidos de pé, com os olhos vidrados pelo fascínio da força primitiva, que desencadeia emoções primitivas.

A maioria destas pessoas que aplaudem de pé, são as mesmas que depois vão rezar a Deus e a Jesus pedindo paz e prosperidade para si e para a família; ou, então, vão reclamar da pobreza e das condições precárias do seu próprio país.

É o triunfo televisionado da estupidez humana!

É um brinde à psicopatia!

É a vitória do império do caos, que impõe a economia política da chantagem e a permanente instabilidade nos outros países — em especial na América Latina e no Oriente Médio — para garantir a sua própria segurança nacional.

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